O intermitente, por si só...
Tenho andado num momento torpe de vida. Não vou buscar traduzir em palavras o que já tão dificilmente venho sentindo. Apenas estou encerrado, exiguado, latejante e comprimido. Lembro de algumas viagens e de como fizeram bem. Tanto que na última não quis mais viajar. Estiquei minha mão e tomei nela uma flor branca, uma que nasceu no canteiro de um posto de gasolina. A estrada era toda névoa. Eu respirava um ar gélido que invadia os pulmões com forças de muralhas que se chocavam num fragor lampejante. Pensei estar vivo. Também que meus pulmões choravam. "Estou enlouquecido". Nada de mal, nunca fui de todo normal...a vida não pode ser uma viagem, Marcelo. Não a vida que te obrigam...e se não for ela realmente a que todos falam, seria você apenas, e algumas dúzias de gatos pingados? Há um naco de coração em cada tomo do Brasil, mas dentro do coração restou apenas um país diluído em mínimas partes, numa dose homeopática do sentir. É, Marcelo; você não está bem, mas tem que diminuir a dose do remédio, porque não está sozinho! Poetas do mundo, uni-vos contra as grandes coorporações! Num país onde há dinheiro, as leis são dos fortes...para os fortes. Mas podemos contra os fortes envilecidos. Que há de mal em lutar, se só nos resta a força de um pensamento? Sim, é porque não faço parte do sistema. Inventaram um. E não sei. Às vezes acho que viver é muito mais que isso...
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